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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Tem uma lagartixa aqui em casa


Somos modernos, com nossos notebooks, netbooks, ipods e ipads, celulares 3G e wi-fi. Mas dificilmente conseguimos escapar da nostalgia. Foi no que pensei ao perceber que uma pequena lagartixa também habita o apartamento. É daquelas branquinhas, ariscas, como há muito não via.

Lembro-me bem quando criança, numa casa em Ribeirão Preto, convivia com uma miríade de insetos e pequenos invertebrados, algo comum nos bairros da cidade, onde havia ainda mais matas do que canaviais. Chegavam besouros de várias espécies, lagartixas e até vagalumes. Qual foi a última vez que você viu um vagalume? Já viu um?

Com um filhote de lagartixa sinto que o apartamento tem mais vida, é um habitante discreto e silencioso, que ainda faz um serviço relevante, de controlar a população de moscas e outros insetos. Recomendo que todos tenham seu filhote de lagartixa em casa.

Sambando no Barnaldo
Já faz quase um ano que não vejo alguns de vocês. Chegou a hora de matar saudades. No próximo dia 16/05, domingo, a partir das 20h, vou fazer um sarau de aniversário no Barnaldo Lucrécia (rua Abílio Soares 207 - Paraíso). Meus convidados não pagarão couvert, só o que consumirem.

Será uma noite com muita música: samba, choro e bossa com o Dois Pastel e Um Chopps e jazz com o grupo dos amigos Alberto Woodward, Caio Ferrari Martins e Sérgio Barbosa. Será um grande prazer recebê-los lá. Abraço e até a próxima.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Vida depois dos 54


Pois é, um dia iria chegar, e chegou. Quando eu tinha 20 e poucos anos me perguntava como estaria uns 30 anos depois. Posso dizer que estou melhor do que imaginava, porque nos anos 70 não se tinha idéia de que tal geração saúde iria influenciar nosso modo de vida.

Posso dizer a quem tem curiosidade que quem passa dos 50 não vai acordar no outro dia sentindo dores e sem disposição sexual. Tudo depende do seu corpo, da genética da sua família e, principalmente, da sua cabeça. Pense saudável, positivo, tome atitudes que não façam mal a você nem aos outros e tudo vai correr bem. Curta a vida em sintonia com sua companheira ou companheiro, amigas e amigos, não existe melhor receita.

Samba canseira
Domingo fomos ver o show do Roberto Menescal com a Wanda Sá, no Sesc Vila Mariana. Só bossas lentas, do novo disco. Menescal, figura fundamental da bossa nova, até brincou com o ritmo: chamou algumas de samba canseira, em alusão ao tradicional samba canção.

Menescal e Wanda, já passados dos 60, destilavam alegria de fazer o que fazem, de interpretar uma música que não morre, e até hoje é tocada em todos os cantos do planeta. A foto aí em cima não me deixa mentir. Podemos viver bem, mesmo depois dos 50, dos 60... É isso, abraço a todos e até a próxima.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Odeio restaurante com cerveja long neck


Nunca gostei de sites ou postagens com alguma coisa que expresse ódio, mas desta vez não vou conseguir evitar engrossar esses odiáveis espaços na internet. Não é um ódio messiânico, étnico, nem mesmo etílico. Só uma forma de expressão de desagrado com alguma coisa.

Acho deselegante e até mesmo desonesto, da parte dos comerciantes, oferecer apenas cerveja long neck aos seus clientes. A mim parece que o único objetivo é lucrar mais, quando o dono do restaurante deveria se interessar em oferecer múltiplas opções aos clientes.

No Brasil já temos poucas opções de cervejas, geralmente só as comuns. Você raramente encontra uma boa cerveja escura ou algum tipo mais encorpado. Restaurantes em bairros bons, como Vila Mariana, Paraíso, Pinheiros, deveriam ser diferentes, já que recebem um público mais qualificado, pelo menos no bolso.

Centro Cultural Rio Verde
Gostaria de recomendar um local muito interessante de São Paulo, escondido numa pequena rua entre Pinheiros e Vila Madalena, atrás do Cemitério São Paulo. Trata-se do Centro Cultural Rio Verde, na rua Belmiro Braga 119, fone 3459-5321. Foi construído por um artista serralheiro, que prega a arte multidisciplinar. Você entra por um jardim com coreto, tem bar/restaurante e vários espaços para música, vídeo, biblioteca, enfim, um lugar realmente diferente e especial. Na foto acima, copiada do site do Rio Verde, dá para ver uma ambientação do local.

A programação é eclética, com muita música, teatro e atividades ligadas ao vídeo e ao cinema. Vale a pena visitar, numa tarde de sábado ou domingo pode se tornar um passeio inesquecível. Para mais detalhes consultem o site: www.centroculturalrioverde.com.br/site/. Valeu, um abraço e até a próxima. Ah, em tempo: lá não tem só cerveja long neck.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O sonhador não está sozinho


Qualquer um com mais de 50 vai se lembrar dos episódios traçados no documentário "The US vs John Lennon", em cartaz em São Paulo. O mix de imagens da guerra do Vietnã, com a luta pelos direitos civis de Martin Lutter King e dos Panteras Negras com as músicas engajadas de Lennon nos fazem estremecer na cadeira, lembrando de nossa adolescência vivida entre os anos 1960 e 70.

Recomendo a todos que gostam de revisar a história, mesmo porque este filme traz imagens de arquivo inéditas, que nos permitem entender melhor o que acontecia concomitantemente com Lennon e Yoko Ono, a mídia, o povo e o governo dos Estados Unidos. Nixon emerge inicialmente em 1968 como uma promessa de que a paz finalmente será atingida e o morticínio inútil no Vietnã vá terminar. Depois fica marcado pelo escândalo do Wattergate e a renúncia.

Guerra e paz. Um debate que continua vivo até hoje, quando os americanos se atolam numa guerra ao terror difícil de ser entendida e mesmo defendida. Fica a pergunta: será que os Estados Unidos aprenderam algo com seus erros daquele momento?

As cenas com Lennon e Yoko Ono na cama, nas suas manifestações, são antológicas. Realmente imperdível. O documentário foi roteirizado e dirigido por David Leaf e John Scheinfeld, com cenas de arquivo valiosíssimas e depoimentos atuais de sobreviventes do período analisado. Yoko facilitou as coisas para os diretores e produtores e nos ajuda a viver, novamente, aqueles anos conturbados.

Mesmo panfletário e engajado, Lennon não parece ingênuo quando afirma que é um sonhador, mas não é o único. E conclama todos a se juntarem às manifestações pela paz. Será que não é disso que precisamos, outra vez, neste momento? Afinal, para viver mais e com realização é preciso ter objetivos. E os bons propósitos ainda são aquilo que deveria nos mover à frente. Abraço e até a próxima.

terça-feira, 23 de março de 2010

Não estou poluindo São Paulo


Fui à Controlar com minha moto XT-660 e fui aprovado - ou melhor, ela foi e com louvor - na inspeção veicular. O permitido para emissão de CO2 é 4,50% e a valente XT só emitiu 2,19%, menos da metade. A máquina aparece aí na foto, estacionada no centro de Monte Alegre do Sul, cidade muito simpática a 130 km de Sampa.

Portanto, estou com minha consciência mais leve, já que as motos são frequentemente acusadas de poluir mais que os carros. Isso foi anos atrás, agora todos os veículos têm que sair de fábrica com um limite máximo de emissão. Destaco esse ponto porque há menos de uma semana o jornalista Fernando de Barros e Silva, editorialista da "Folha de S. Paulo", escreveu um texto irado, afirmando que "não existe categoria que desperte no conjunto da população tanta animosidade quanto a dos motoboys. Sim, é uma animosidade de mão dupla. O inferno, para eles, somos nós - tiozinhos e dondocas nos carrões, taxistas e ônibus, cada qual disputando a primazia sobre o asfalto escasso."

Prossegue o escrevinhador:

"Nenhuma grande cidade do mundo resolveu seu trânsito incentivando o uso de motos. É um veículo perigoso, individualista ao extremo, além de barulhento e poluente. E há motos demais em São Paulo. Em 2000, eram 348 mil. Hoje, já são 824 mil, mais do que o dobro."

Barros e Silva prossegue comentando a faixa exclusiva para motos, que a Prefetura está construindo na rua Vergueiro e a proibição das motos na via expressa da marginal do Tietê e dpois em parte da avenida 23 de Maio. Diz que isso é só enxugar gelo.

Mesmo sendo um motociclista que usa o veículo para transporte pessoal, considerei o editorial preconceituoso e desinformado. Ora, se as motos agora são 829.462 (até fevereiro, segundo o Detran), os carros circulando já passam de 4.985.768, sem contar utilitários e caminhonetes, o que deve elevar a frota particular de quatro rodas para algo em torno de 5,5 milhões de veículos. Isso só na capital.

As motos são veículos perigosos, individualistas, barulhentos e poluentes, garante Barros e Silva. Posso garantir ao colega jornalista que a minha motocicleta não polui mais que o carro dele, nem é barulhenta. Perigoso é viver, sair de casa, sr. Barros e Silva. Agora individualista ela é mesmo. As motos são feitas para transportar no máximo duas pessoas. Já os carros, que podem levar 4, 5 ou até 7 pessoas, são vistos, quase sempre, apenas com o condutor. Isso não é individualismo?

Bem, pra terminar reproduzo aqui a carta que enviei para a sessão do Leitor da "Folha" comentando o artigo, mas não foi publicada:

"Fiquei espantado com o nível de preconceito que destila do texto do sr. Fernando de Barros e Silva contra os motociclistas. Tenho 53 anos, tenho carro e uma moto de 660 cilidradas que uso como veículo de transporte. Claro que boa parte dos motoboys circula perigosamente, mas, por experiência própria, vejo que se irritam pelo egoísmo de motoristas que dirigem como se estivessem sozinhos no trânsito.

A Prefeitura deveria é exigir e oferecer gratuitamente treinamento para todos eles, e não simplesmente proibir o tráfego em vias, isso me parece até inconstitucional.

Além disso, veículo individualista ao extremo é o carro, o jipão, que transporta uma única pessoa, quando comportaria quatro ou cinco. As motos são feitas para serem veículos individuais, para ocuparem menos espaço nas grandes cidades.

Gostaria de lembrar palavras do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, em entrevista que fiz com ele para o Centro Novo, há dois ou três anos: “O transporte individual é uma das atividades mais idiotas e antieconômicas. Você vê uma pessoa que pesa 70 quilos entrar numa lata de 700, 800 quilos, que para se movimentar precisa do petróleo retirado das entranhas da terra lá na Arábia Saudita ou no Iraque. E tudo isso para quê? Para levar essa pessoa ao shopping, onde vai comprar duas beringelas e uma couve-flor. Ou então essa pessoa de 70 quilos põe no carro uma criança de 40 quilos para levá-la à escola. Do ponto de vista da inteligência humana, o carro é uma máquina estúpida e extremamente cara." Fica aqui para o sr. Barros e Silva refletir."